quarta-feira, novembro 15, 2006

A minha vida...

Vou contar-lhes o meu sonho. Afinal eles são os meus pais, apesar de eu não me lembrar sequer de como me chamava. Tenho de começar a descobrir quem eu era. Não posso ficar para sempre fechada nesta casa branca!Estou farta de tanto branco!

Eles chegaram. Os meus pais são diferentes das outras pessoas que vêm visitar os outros pacientes. Têm um ar leve, vestem-se de uma maneira...digamos, muito informal, podiam chamar-se hippies. Parecem-me felizes mas não me lembram ninguém! - Olá Matilde, António, como estão? - Já te pedi para me chamares de Mãe e ao teu pai de Pai! - Desculpem, mas ainda não me consigo lembrar de nada..quer dizer.. - Conto-lhes o meu sonho. Eles ouvem como se não fosse nada de novo para eles, confirmam-me que era eu. Pedi-lhes para me contarem toda a minha vida.

Dizem-me que fui uma criança calma, muito sonhadora, que tinha uma amiga invisivel a quem chamava Clara, a minha mãe perguntava-me porque é que escolhera o meu nome para dar à minha amiga invisível e eu respondia sempre que eu não lhe tinha dado o nome, que era realmente o seu nome, Clara.
Na adolescência, tinha sido uma jovem curiosa, sempre à descoberta de novas pessoas. O pai conta-me que muitas vezes me perguntava porque é que eu queria sempre conhecer mais gente, e eu respondia que me faltava sempre conhecer alguém. Um sentimento que me acompanhou a vida toda, mesmo depois de ter encontrado o amor da minha vida, sentia uma falta em mim, até ao dia do nascimento da Flora esse sentimento permanecia.

- E depois do acidente? Depois da Flora e do Jaime... O que eu fiz? - Voltaste para tua casa, mas passados seis meses resolveste mudar de lugar. Foste viver para a Cidade.Tinhas só 22 anos. - Mudei-me da pacata Aldeia onde tinha nascido, apaixonado e casado; para a grande Cidade, sozinha, perdida na vida mas com todo o apoio dos meus pais. Vim estudar, acabar os estudos que tinha parado por amor ao Jaime. Cá estive eu durante três anos a estudar fotojornalismo. Com o talento que tinha rapidamente arranjei emprego numa prestigiada revista de ciência.

- O teu maior objectivo depois Deles terem... bom... tu querias arranjar uma maneira de viajar pelo Mundo à procura da parte que te faltava. Ires estudar fotojornalismo e o emprego na revista deu-te essa oportunidade. - Viajei por todo o Mundo, conheci milhentas pessoas, mas nenhuma me preencheu.
A mãe diz-me que parecia que tinha perdido o amor à vida depois de ter perdido oa meus amores, que fazia as maiores loucuras - Houve uma vez que aceitaste um trabalho numas grutas inexploradas no Méxixo, ficavam debaixo de àgua, o teu trabalho era documentar fotograficamente a expedição. Tu mal sabias nadar, mas lá foste muito segura de ti! Temi tanto por ti sempre... - Tenho pena de não me lembrar de nada, devo ter tido aventuras bem loucas...

- Nestes últimos dez anos fartaste-te de ter aventuras, acredita! Mas sempre que voltavas à Cidade, vinhas até à Aldeia visitar-nos, aos pais do Jaime e ias à campa da Flora e do Jaime pôr uma pedra do lugar de onde tinhas estado por último. Dizias que era uma maneira de eles também terem estado contigo.

Acabou a hora da visita.Despeço-me dos meus pais, pela primeira vez com um abraço, confiante que me vou lembrar deles e de tudo o resto. Para conseguir achar essa parte que me falta e descobrir quem é a mulher que me aparece no sonho!

A casa...

Voltei, tinha de lá voltar... Estacionei o carro mesmo em frente ao quiosque e dirigi-me a mulher que me havia indicado o caminho das melancias anteriormente.
Nada... Não estava lá ninguém... "Posso ajudar?"- saltei de susto!
Ali estava um jovem com cerca de vinte e poucos anos, entrou dentro do quiosque depois de quase me ter provocado um ataque cardíaco ao aparecer assim tão subitamente nas minhas costas!
"Pode! Ainda há pouco falei aqui com uma senhora de idade que me indicou um caminho... seria possível falar com ela de novo por favor?"- respondi.
"Senhora de idade??Népias! Este cantinho é meu, foi a minha avó que mo deixou depois de morrer, coitadita, sempre me dizia que quando ela se fosse eu ficaria a tomar conta do negócio!... Mas diga, talvez a possa ajudar na mema..."- disse o rapaz com um ar descontraído.
Decidi aceitar a sua ajuda e perguntei-lhe se conhecia alguma rapariga que tivesse perdido um bébé á nascença ali naquela aldeia, aqui há uns dez anos atrás... Claro que não me saberia responder, ainda não passava de uma pequena criança nessa altura,pensei eu...
"Pois isso aí já não sei não é?... Cada um sabe de si e Deus sabe de todos..."- disse-me ele confirmando o que eu acabara de pensar.
Resignada com a resposta, agradeci-lhe e dirigi-me mais uma vez para o meu carro. Desta feita não sabia para onde ir... a chuva tinha finalmente parado e decidi ficar ali mesmo á espera de alguma coisa que me indicasse para onde devia seguir...
"Olhe!!"- saltei mais uma vez num sobressalto! Tinha a cara do moço do quiosque bem ao meu lado, colado ao vidro do carro, e batia para o baixar!
"Diga?!"- respondi enquanto baixava o vidro para o poder ouvir. "Atão porque é que não vai ali á frente no largo falar com o Sô Prior? Ele é que deve saber das vidas desta gente toda, não é lá que se confessam?"- disse-me o rapaz num alvoroço que terminou com uma forte gargalhada.
"Tem razão, talvez ele me possa ajudar..."- respondi, enquanto fechava o vidro e arranquei com o carro na direcção que ele me havia indicado, não fosse ele pregar-me outro susto...
Consegui falar com o prior, pouco me adiantou em relação ao assunto que lhe perguntei, o que é normal dadas as circunstâncias. "Fale com os Silva..."- disse-me num tom misterioso, como quem guarda um grande segredo que não pode revelar... Depois lentamente escreveu uma morada num papel e entregou-mo envolvendo as suas mãos nas minhas. "Vai e que isto nos possa ajudar... que Deus esteja contigo minha filha... que eu não posso mais..."- arrepiada com as suas palavras, retirei-me e fui a procura da tal morada que me havia indicado.
Saí um pouco da aldeia, mas lá encontrei o "ninho", era assim que se chamava a linda vivenda branca, rodeada de flores, que eu tanto buscava. Bati a porta... nada... voltei a bater... ninguém atendia... de repente um vento forte passou por mim, -"Vai começar a chover de novo."-pensei, e numa rajada forte de vento a porta abre-se e leva-me para dentro com ela!Luzes.... muitas luzes... não consigo ver nada... "Parabéns!!!"- gritava uma multidão de gente que nunca tinha visto na vida! Ouviam-se garrafas de espumante a abrir e o som da música dos parabéns ecoava ao som de todas aquelas vozes que me esperavam alegremente... Senti uma mão no meu ombro direito e logo se seguiu uma voz acompanhada de um belo jovem. "Ah! Não estavas á espera!Anda vamos cortar o bolo!"- e levou-me num abraço forte até a sala que ficava mesmo ao lado da entrada, ali estava o bolo enorme, aproximei-me, confusa, e consegui ler... Clara... Clara!É o meu nome... que se passa?? -pensei.
" E agora peço o silêncio de todos!... Clara, minha Clarinha... aqui hoje diante de toda esta gente que nos é tão conhecida e querida, quero dizer o quanto significas para mim e quanto quero continuar na tua vida..."-disse o belo rapaz que me tinha levado até aquela sala, enquanto punha a mão no bolso do casaco."Aceitas?"- perguntou-me enquanto tirava do bolso um belo anel de noivado. Senti-me muito confusa, quem era aquele homem, aquela gente toda? Subitamente começei a ouvir cada vez mais alto o som da multidão que gritava, -"Sim!Sim!"- toda a minha cabeça rodava... "Não!!!"- soltei eu num grito!... E caí... abri os olhos... estava tudo meio escuro á minha volta e ali estava eu sentada numa velha cadeira de balouço... senti de novo uma mão no meu ombro direito... levantei-em num susto!
"Calma... já se está a sentir melhor?Entrei por aqui a dentro e estava caída no chão... maldita porta que nunca fica bem fechada..."- disse-me o homem, o mesmo que ainda há pouco me perguntava se queria casar com ele... confesso que estava a ficar cada vez mais confusa..."Quem é voçê?"-perguntei-lhe apreensiva.
"Não se preocupe que não lhe faço mal"-disse ele sorrindo, e como era lindo o seu sorriso!"Eu sou vendedor, há muito que procuro quem esteja interessado nesta casa, venha vou fazer-lhe uma visita guiada."
Calmamente, segui com ele para a entrada, talvez me possa ajudar pensei...

terça-feira, novembro 14, 2006

Dez anos antes...

Está um dia lindo de Agosto, com o Sol a aquecer-me a cara e a minha barriga imensa. Estou tão grávida e faz tanto calor que me custa mexer. Só mesmo comer melancia me acalma os calores neste momento! Adoro melancia e durante toda a gravidez tive um imenso desejo de comer melancia. Foi muito engraçado quando em Fevereiro me apeteceu imenso comer melancia às 2 da madrugada! O Jaime esforçou-se imenso, mas tudo o que conseguiu foi polpa de melancia congelada! Não sabe ao mesmo! Nada como uma grande fatia de melancia aguada!!

O Jaime deve estar a chegar, vem buscar-me para irmos para o Hospital. É hoje, vais nascer para me vir completar. Vens preencher esta falta que sinto em mim, como se tivesse sido separada de alguém algures no tempo. Flora, assim te vais chamar.

O Jaime está a chegar, ouvi os travões a chiar lá fora. Que excitação!
Levanto-me a custo da cadeira de baloiço onde te vou dar de comer para te sentires sempre embalada; pego nas coisas que há meses estavam preparadas para este dia, digo um até já à minha vida, a esta casa que há 2 anos contempla a nossa felicidade. Quando voltar tudo será diferente.

Saio para a rua, ao encontro do Jaime que já está em pulgas. Ele deseja este filho desde que me lembro de o conhecer. Entro no carro, trocamos um beijo e um desajeitado abraço, para dar força! Uma força que, mal eu sabia, mais tarde iria precisar, muito.

A caminho do hospital algo corre mal. O Sol a encandiar-nos os olhos, um condutor descontrolado, muita confusão na rua. O som do chiar dos travões do nosso carro e um embate brutal, foi a última coisa que me lembro.

Acordei no hospital, com uma ligadura na cabeça, muito dorida e sem a Flora no meu ventre. Estava sozinha no quarto, deitada numa cama de onde não me conseguia mexer. Pressenti o pior, comecei a lembrar-me do barulho antes de perder os sentidos, as lágrimas correram sem que eu pudesse impedir, queria ficar calma até vir uma confirmação de alguém.

Nisto, abre-se a porta por onde entra uma enfermeira. Vem com um sorriso calmante, chega-se perto de mim e pergunta-me o nome - Clara, Clara Figueira Silva, onde está a minha filha? - a enfermeira pediu-me que aguardasse e saíu do quarto. Momentos depois regressa acompanhada pelos meus pais. Não precisei de ouvir nada, pelos seus semblantes percebi que algo tinha corrido mal, a Flora não tinha vingado!Desatei num pranto, a mão quente da minha mãe segurou a minha, chegou-se perto do meu ouvido e disse - Tens de ser forte, há pior! - Pior?! Pior do que perder um filho sem o conhecer? O que haveria pior do que isso. - O Jaime, no acidente, sofreu um traumatismo muito forte, não resistiu.

As palavras ficaram suspensas com as lágrimas. Tudo parou, o tempo, o som, a luz que entrava no quarto... Não queria acreditar no que me estava a acontecer. De repente tudo tinha virado 360 graus a leste do que era a minha vida, iria regressar à minha vida com menos pedaços ainda, iria regressar àquela casa onde tudo iria ser diferente depois no nascimento da Flora, não imaginava que fosse tão diferente.... - Quero estar sozinha! - Todos saíram do quarto.

(ACTUALIDADE)

Acordo.
Uma tristeza enorme no peito.
Não foi um sonho.
Eu perdi uma filha, Flora, perdi um marido, Jaime.

Quem sou eu?
Será que esta sensação de me faltar uma parte à vida, deve-se a esta perda no passado?
É estranho, mas sinto que há algo mais que me falta.

Preciso concentrar-me, comer qualquer coisa, ganhar forças para tentar lembrar-me de quem sou.
Melancia, apetece-me imenso melancia.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Desejo

Acordei com um desejo louco de comer melancia!...
Bom... na residencial onde me encontro não há tal coisa para comer, apenas o simples e modesto pequeno almoço português, o nosso tão tipico pão com manteiga e café com leite!
Repeti várias vezes o que ali havia para encher este meu estômago faminto e sai em busca da tão desejada fruta, tão fora de época... Onde vou eu encontrar melancia em pleno Dezembro?
Parei em vários pequenos supermercados e até mesmo em algumas grandes superficies... nada!... este desejo aumentava a cada minuto que passava... Parei o carro junto a um quiosque e perguntei onde poderia encontrar a tão desejada melancia. "Ali adiante encontrará o que procura"- disse-me a mulher de figura estranha que me atendeu- "Lá para cima... naquele monte, há quem a possa ajudar..."- Agradeci, apesar de achar bizarras as suas palavras, ajudar? Pensei: "Estarei com um ar desesperado?Apenas quero encontrar uma melancia, uma fatia já me bastava para saciar esta vontade voraz..."
Segui a estrada, pelas indicações que me haviam sido dadas, ia em direcção a um monte bem lá no alto. "Irei encontrar uma quinta de agricultura biológica?"- pensei...
Cheguei. Estacionei o carro. Nem vivalma se via... Apenas eu me encontrava parada diante de um grande portão de ferro...
"Olá! Está por aí alguém?"- perguntei. Ninguém me respondeu... O portão encontrava-se apenas encostado, decidi entrar, era pesado e rangia um pouco, entrei!... Flores, muitas flores, um enorme campo florido que brilhava de côr debaixo daquele sol de Inverno, ali mesmo diante de mim! Senti-me radiante, como uma pequena criança que vê pela primeira vez o mar e se maravilha com a sua grandeza!Corri, saltei, deitei-me naquele manto colorido, rebolei... senti-me envolta de uma alegria imensa!!!!Ali fiquei de barriga para o alto a admirar o azul do Céu, que estava límpido como numa manhã de Primavera! Fechei os olhos... senti-me adormecer... De repente, uma criança loura, vestida de branco, acordou-me suavemente e levou-me pela mão, andámos, fomos parar debaixo de uma tília onde ficámos sentadas, a ver o pôr do sol, tão lindo, ao fundo de toda aquela beleza que nos rodeava... Senti um arrepio de frio... Falta de ar!... as minhas faces geladas... molhadas... E num inspirar forte, assustado, abri os olhos!... Estava a chover... e eu ali estava deitada, num campo de ervas secas e velhas, levantei-me sobressaltada!... Caí!... fiquei toda suja de lama... Frio, muito frio... olhei em frente e qual não foi o meu espanto, o meu susto, quando deparei com uma campa de mármore, cinzenta... estava coberta de ervas daninhas que esvoaçavam com o vento que fazia... afastei-as para poder ler a quem pertencia... não tinha nome... apenas a data de nascimento e de óbito... 21-08-1986 até 21-08-1986... "Um nado morto..."-pensei.
Dei um pulo!... Assustei-me com a voz de um homem que subitamente apareceu por trás de mim e me perguntou:"Posso ajudar?"- "Onde estou?"-perguntei confusa.- "Na terra das almas que já foram!"- respondeu o homem.
Olhei em volta e vi... o campo que antes era florido, era agora um cemitério, uma imensidão de campas... "De quem é esta sepultura?"- perguntei ao homem. "Não sei... de alguém que não veio para nascer... mas para morrer... curta existência... é assim a vida uns nascem, outros morrem. Eu enterro-os a toda a hora."- respondeu.
Levantei-me, olhei uma última vez para a data que estava na campa, dei os bons dias ao homem, que aparentemente era o coveiro e dirigi-me para a saída, o grande portão velho... "Há uma moça que vem cá... mas muito de vez em quando... já não a vejo por aí há muito tempo!..."- disse-me o homem. Voltei-me, olhei para ele e para aquele jardim das almas que já foram, como ele próprio me tinha dito. Despedi-me. Saí. Fechei o portão, entrei no carro e segui viagem, deixando na minha imagem aquele homem, velho, que cavava mais uma sepultura...

sexta-feira, novembro 03, 2006

Confusa

Acordo.
Sinto-me confusa...
Como sempre...
Tenho de sair deste lugar...
Eles hoje vêm visitar-me, dizem que são a minha familia, que eu deveria lembrar-me deles.
Contam-me do acidente que tive, que estive em coma seis meses, que escapei por pouco.
Mas eu não consigo recordar-me.

Tenho de sair daqui.
Sinto-me confusa.
Fraca.

Adormeço.
Acontece sempre isto depois de tomar aquele comprimido.

Começo a sonhar.
Sonho sempre a mesma coisa desde que me lembro de acordar neste edificio.
Uma mulher, sou eu, mas não sou eu.
Uma mulher jovem...
Chora, essa mulher...
Sofre...
Não me consigo recordar de muito mais, porque adormeço profundamente...

Acordo.
Um homem vestido de branco vem acordar-me dizendo que tenho visitas.

Vou até à sala a que chamam a das visitas,
reconheço-lhes o rosto das tantas vezes que cá me vêm ver,
mas nada me dizem. Não sei quem são.

Recontam-me o acidente que tive e não me lembro.

Ía saltar em queda livre...
falhou alguma coisa na saída...
caí inconsciente no chão...
Foi uma sorte não ter morrido...

Não me lembro de nada...
Não consigo sentir ligação com esta gente..

Só me resta a mulher do sonho,
só ela faz sentido na minha cabeça,
tenho de saber quem é ela.

Sexto sentido

Suores frios... um aperto no peito...visão turva... palpitações... comecei a tremer e a ser invadida por uma sensação de morte iminente... Lá estava eu, mais uma vez, dentro de uma ambulância que corria no meio do trânsito para o hospital...
Uma vez lá chegada tudo me passou. Tentei explicar ao médico que nada de errado se passava comigo, tinha feito um check up recentemente e sabia que estava tudo bem...
Fui para casa, a pensar o porquê destes ataques, como das outras vezes em que aconteceram. Já começo a ser conhecida no hospital, qualquer dia já nem me ligam nenhuma... pior já não acreditam em mim... Muito menos depois de lhes explicar que não sou eu que estou a sentir isto, mas outra pessoa, que não sei quem é... ninguém acredita... bem sei que é difícil acreditar hoje em dia... mas eu sinto... eu vejo... eu ouço... e não é comigo, estou certa disso... tenho um canal aberto, e eles sabem disso... que faço então? Alguém, algures neste mundo imenso, está a pedir-me ajuda e eu não sei... não posso... não encontro uma maneira de lhe prestar essa ajuda...
Quem és... onde estás?... Que se passa contigo para te sentires assim?... Sei lá, já me passou tudo pela cabeça!... Será alguém sequestrado? Molestado? Alguém em perigo de morte?... Só sei que isto me aflige, e não sei o que fazer...
Sexto sentido que me atormentas...
Fiz as malas e parti... vou seguir esta energia, talvez me leve a algum lado...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Como nasce este Blog...

Eu sou Broken Doll, mais tarde conhecerão Ohninis, a alma minha.
É possível que, o que vos vou contar, vos pareça estranho, por isso vou tentar ser o mais clara que puder. Por certo que já vos aconteceu conhecerem alguém a quem chamaram "alma gémea", por haver uma sintonia especial entre vós. Uma sintonia ao nível de quase não ser preciso falar para se perceberem. A mim já me aconteceu com várias pessoas, e vários níveis.
Com Ohninis é diferente. Conhecemo-nos há uns bons anos e pode-se dizer que não tivemos uma amizade instantanea, foi gradualmente crescendo em encontros proporcionados pelo o nosso trabalho, o teatro.
No inicio deste ano, eis que, por acaso,ou não, nos encontramos em mais um desses trabalhos. Por esta altura começamos a descobrir que algo muito forte nos une, que somos uma espécie dessas "almas gémeas". Foi nesse mesmo trabalho que conhecemos uma outra "mana", chamemos-lhe S. Esta "mana" tornou-se muito especial ao longo da carreira do espectáculo, e já para o fim disse-nos sobre esta nossa forte ligação: "não sei se são almas gémeas ou não, mas já foram um dia uma alma só" .
Esta descoberta fez todo o sentido. Daí, a alma minha propôs fazermos um blogstory , pois devido a esta nossa sintonia podíamos experimentar escrever um enredo em parceria. Vamos lá ver como corre.